segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Monteverde

Se alguém perguntar por mim, diz que dei um tempo do mundo. Fugi pruma floresta de altitude no meio da Costa Rica. Só volto sexta.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tem

Vai chegando o final do segundo trimestre. Alguns segundos anos já foram aceitos em universidades, outros selecionados para entrevistas do outro lado do mundo e uma pequena parte termina seus applications. Também saiu a lista de candidatos convocados pro convívio do processo seletivo do comitê nacional brasileiro. 20 pessoas estão mais perto de, possivelmente, viver e sentir o que eu vivo e sinto agora. E você, meu caro padawan, me pergunta: e eu com isso? Universidades e novos primeiros anos são os indicadores de que o ano está chegando ao fim. Meus segundos anos vão embora e novos primeiros anos vão chegar.
Não é um post longo ou reflexivo, mas um lembrete pessoal pra quando eu reler meu blog ou alguém que ler isso embarcar na mesma aventura de que não é overrated. Ontem eu entrava num micro-ônibus em direção ao campus e parece que amanhã ele me leva de volta ao aeroporto:  o tempo, aqui, voa.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Sobre psicologia, felicidade, Doris e pequenas coisas

     Acordei meio atrasado. Faltavam uns oito minutos pra aula começar. Psychology HL. Ponderando tirar um sick-day, lembrei que tinha duas apresentações e uma atividade por entregar e me encontrei obrigado a ir. Nada na cafeteria me apetitou e segui caminhando para o último bloco das salas de aulas. Por algum golpe de sorte, cheguei junto com a professora e metade de sala ainda não estava lá. Sentei na minha cadeira de praxe e abri o computador. Esperava mais uma aula chata sobre cognitive processes, onde minha participação seria próxima de zero. Após duas horas de aula sobre human relationships, debates e matérias que realmente me interessaram, me encontrei feliz de, mesmo que obrigado, não tirei um sick-day. Math Studies foi como sempre. Já tinha feito a ficha então me distraí desenhando em meu caderno. Por sorte, Norman nos liberou de Teoria del Conocimiento e, como meus dois últimos blocos eram livres, fui estudar para o SAT. 
     Talvez foi o fato de que fazia um dia muito bonito ou de que minha manhã foi tranquila e muito pleasant (tem coisas que precisam ser em Inglês), mas o dia seguiu de uma forma que eu, honestamente, não esperava. As duas horas de Volleyball CAS foram muito boas e, depois de anos, foi extremamente bom jogar vôlei de novo. O dia melhorou quando, correndo, Taisala (Nova Zelândia/Hong Kong) chegou ao frisbee field pra dizer que o line-up completo do Life in Color (um festival que vai ter aqui) tinha saído e não era tão ruim como esperávamos. A notícia que de Calle 13 vem para a Costa Rica exatamente um dia depois da última prova dos primeiros anos parecia mentira. Passar um tempo em Cahuita foi outro ponto alto. Mesmo desistindo dos nossos planos de assistir um filme pra tirar o SAT da cabeça, eu e Amiya (Índia) conversamos e, juntos, trocamos expectativas, falamos de universidade e rimos bastante. Fui dormir cedo sem esforço. O dia foi tão pacífico que terminou comigo dizendo que, se as coisas estavam tão boas e calmas, coisas ruins estavam por vim e Sábado seria um desastre. Não foi.
      Acordei às seis da manhã, tomei um café-da-manhã com a Amiya na mesa entre Montezuma e Mal País. Me despedi de quem ia pro Hatchet. Fiz o SAT, que, surpreendentemente, não foi tão estressante mas também não deve ter me garantido uma nota muito boa. Visitei Heidi (minha tutora e professora de Economics) com o tutor group. Assisti o final ensaio do TEDx, o que só me deixou mais animado pra quinta-feira que vem. Por fim, de noite, fui com Amiya, Dilly (País de Gales), Robin (Holanda), Vitória (Brasil), Lucas (Inglaterra) e Sebastian (Costa Rica) para a Doris, um restaurante super chique duas quadras do colégio. Encontramos Vilde (Noruega), Becca (EUA) e Molly (EUA) e ficamos na área externa do restaurante, tomando uns bons drinks, comendo pão e uma sobremesa. Foi ali que percebi o quão bom meu fim de semana tinha sido. Não estávamos preocupados com academics, na verdade, não estávamos preocupados com nada. Sentamos e conversamos. Fizemos planos para o fim de semana que vem. Rimos. Rimos MUITO. Um copo quebrado, dois pães e alguns drinks depois, decidimos voltar pro campus. Fui até Cahuita #5 escrever meu discurso pra vice-presidente do Student Council (é, vou concorrer). Conversei e fui dormir. Intenso, cansativo e extremamente delicioso. Foi assim que pude definir sábado enquanto estava deitado na minha cama.
      Hoje não fiz nada. Procrastinei umas horas na cama. Almocei com Fabiha (Zâmbia) e Alison (Inglaterra), que tinham acabado de voltar do Hatchet, lavei minhas roupas, arrumei o quarto, fiquei de bobeira com a Amy (Canadá) e, por fim, sentei na mesa entre Cahuita e a administração com Margot (Holanda), Clara (Chile/Holanda), Eleanor (Holanda) e Vitória pra esperar a chegada da nova aluna que vem do UWC Mostar, Chiara (Austria). Certos incidentes que renderam boas risadas e meia hora de espera, mas ela chegou. Mostramos o campus, tive reunião do Set Design do musical, meu ensaio do mesmo musical foi cancelado e daqui a pouco vou ter um momento brasileiro com direito a pão de queijo e cookie. 
     Trivial e até mesmo besta podem descrever esse fim de semana. Peço desculpas se você, leitor(a) esperava um post significativo sobre como UWCCR está me mudando e como eu estou vivendo mil aventuras. Essas 72 horas tiveram um significado tão pessoal e delicioso que precisei escrever aqui. Não quero e não pretendo esquecer esse fim de semana que, para mim, valeu mais que um mês inteiro. O que faz uma memória UWC não são a grandes coisas, mas sim as pequenas que a formam. Um jantar, uma aula, um jogo de vôlei e notícias boas foram o suficiente para fazer esse brasileiro magrelo feliz. Muito feliz.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Sambinha bom é esse que te traz de volta

     Volta às aulas, duas provas, três idas à enfermaria, um pequeno terremoto, uma festa e seu péssimo timing, quatro DRs, uma Written Task, SAT no sábado, cinco professores indo embora, uma nova aluna por chegar e um RA perdendo o posto. Duas semanas. Nunca algo foi tão intenso e tão rápido quanto a vida nesse colégio. E é bom estar de volta à casa. Não o campus em si, mas sim as 200 pessoas que o fazem tão... tão.
     Não há casa se não há alguém por quem voltar. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

"This log. Our log."

     Depois de seis horas num ônibus as expectativas pra noite de ano novo se mantinham as mesmas. Iríamos os dez para uma praia qualquer, veríamos as estrelas, ouviríamos música e, à meia-noite, nos abraçaríamos, faríamos tradições dos respectivos países e assim, de um minuto para o outro, seria um novo ano. Algumas tentativas falhas de ir para uma praia mais movimentada 40 minutos de onde estávamos. Nos contentamos em ficar por lá mesmo. Alguns tentavam arrumar as redes anti-mosquito de suas camas quando alguém disse que era hora de irmos pra praia. No completo breu, seguimos a pequena trilha de cascalho até a praia. A falta da lua foi compensada pela infinidade de estrelas no céu e seu reflexo na água, que, juntos, nos serviam de única fonte de luz.
     Continuamos deitados por quarenta minutos. Conversávamos sobre o ano que passou: vida acadêmica, vida residencial, vida pessoal. Expectativas do ano que vinha e as clássicas (e superestimadas) "New Year's resolutions". Percebi que não tinha nenhuma e confesso que demorei cerca de dez minutos para estabelecer a primeira.  Muito devido ao fato de que, para mim, 2013 ainda era um borrão de informação e acontecimentos. Devido também a minha insistência de que a mudança de ano não significa mudança de caráter. Estranhamente, encontrei conforto nas minhas resoluções. Encontrei conforto também nas outras nove (e logo seriam onze) pessoas que compartilhavam a visão mais bonita que tive na Costa Rica. Lembro-me de, literalmente, cair o queixo quando, numa felicidade extrema, Karen (Colômbia) disse que era possível ver a Via Láctea.
     Sendo eu o responsável pelo relógio e a contagem regressiva, me encontrava olhando o relógio do iPod constantemente. 25, 20, 15, dez, cinco. Alguns se levantam e começam a compartilhar suas resoluções definitivas. Três. Todos de pé. Alguns dando o último shot de 2013, outros compartilhando os pontos altos do ano. Dois. Algumas tradições de ano novo dos respectivos países são colocadas em prática. Um. Garrafa de champagne na mão, todos estavam reunidos em um circulo ao redor do relógio. Zero. Abraços. Sorrisos. "Happy new year". "Feliz año nuevo". "Feliz ano novo". Enquanto Júpiter, previamente confundido com uma estrela extremamente brilhante, iluminava a praia. O brilho estava em cada um de nós. Risadas. Sorrisos. Pular sete ondas. Mais abraços. Era como se lá, repentinamente, criássemos nossas próprias tradições. Era algo que só nós dez saberíamos fazer novamente.
      Alguns goles de champagne e rum depois, a caixa de som já estava sem bateria e nós, já calmos, deitados, apreciávamos mais uma vez a beleza das estrelas naquela noite em especial. Resolvemos conversar. Traçamos nossa "história" (não encontro a expressão certa) desde a primeira vez que notamos um ao outro no campus, passando por as duas noites e suas consequências conturbadas, a falta de comunicação durante Outubro até chegarmos onde estávamos. Me encontrei novamente me contrariando ao confiar que novos anos equivalem a novos começos: concordamos que tudo o que aconteceu em 2013, ficaria em 2013. Brindamos. "So, what is this?". Não soube responder. Ela também não. Sorrimos e continuamos a conversar até que, duas horas depois, era o ano novo em seu país. Já era tarde e acordaríamos cedo.
     Assim se passaram as primeiras horas que procederam e começaram 2014.
    

domingo, 29 de dezembro de 2013

But I don't wanna go, but it's time to leave

         O campus está silencioso, assim como eu. Lentamente o português foge da ponta da língua e aglutina-se no fundo da garganta. Algo parece diferente. Talvez seja a nova disposição dos móveis do quarto ou talvez seja o fato de que metade da luzes de natal queimaram. Talvez o que mudou fui eu. Estar no UWC deixou de ser o sonho e agora é uma realidade tão concreta quanto o fogo no isqueiro entre meus dedos. Todo o entusiasmo inicial aparenta estar escondido em algum lugar dentro de mim ou espalhado em cada uma das pessoas que foram pra suas hmm... casas? lares? países?
        Geralmente antes de deitar a cabeça no travesseiro, fico imaginando como vai ser sair de um campus vazio e voltar com ele cheio. Como vai ser encontrar novamente todo mundo? Será que voltar pra casa afetou eles tanto quanto ficar no campus me afetou? Me repreendo ao afirmar que estou overthinking toda a situação e me contento com uma noite de sono. Ainda somos nós. Ainda. Numa visão geral, acho que minha reflexão (ugh) durante o break foi benéfica. Talvez não havia tanto assim pra pensar e as respostas fossem simples e estiveram lá todo tempo. Me encontro com a tendência de complicar demais tudo o que está acontecendo por aqui numa tentativa um tanto quanto falha de processar a avalanche de informação e coisas acontecendo aqui. 
         Enquanto eu estiver na service week vai sair a lista dos convocados pra segunda fase do processo seletivo do UWC Brasil. Me dei conta que não estou pronto para primeiros anos. Em menos de cinco meses eu já vou estar de volta e será o fim da experiência dos segundos anos no colégio e o início fora dele. Possivelmente essa é a hora que eu começo a perceber que existe tanta gente incrível no colégio que eu não conheci e seja a hora de conhecer. Aliás, isso é uma das coisas que devo muito ao December break, a chance de conhecer pessoas maravilhosas que, há um mês, eram quase que estranhas.
          Esse é meu último post de 2013. Um ano um tanto quanto bom. Cheio de oportunidades e aprendizados. Que 2014 seja ainda melhor. (melhor parar porque isso já tá virando mensagem de final de ano da Globo).

        Fico ouvindo The Lumineers e pensando em tudo que a gente poderia ter sido. Ouço Disclosure e penso em tudo que a gente poderá ser. 



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Weep little lion man, you're not as brave as you were on the start

     Começou na quinta-feira, quando, as 23:30, fui raptado por um dinamarquês, uma indiana e dois brasileiros. O que parece tão estranho e digno de começo de piada, aqui no UWCCR é só um de vários momentos e tradições. Descalço, vendado e apanhando. Foi assim que me levaram pro Social Center pruma comemoração de aniversário, três dias antes da data de fato. No dia seguinte a Vitoria (Brasil) organizou um potluck dinner na Greenhouse à luz de velas e luzinhas de natal. Muito bolo, risadas e gente querida fez a noite uma das melhores que já tive aqui.
     Como toda sexta-feira, resolvemos ir até o Amigos. Acabou que, além de ser a última noite do semestre, também foi usada pra comemorar meu aniversário. Nunca vi aquele lugar tão cheio, nem mesmo na primeira noite do October Break. É engraçado ver que, quando não há ninguém do colégio, o bar nada mais é que um lugar super creepy cheio de ticos. Mas quando as pessoas do colégio estão, aquilo vira um outro lugar. Enfim, a noite estava boa até um ou outro acontecimentos um tanto quanto decepcionantes que me fizeram pensar. Voltei com Marcela (minha segundo ano) pro campus e, numa medida com o intuito de extravasar, fomos até o campo de frisbee (ou de futebol, como preferir) e tivemos um dos meus momentos favoritos no campus. A noite se arrastou numa mistura de felicidade, decepção, raiva e visão embaçada.
     Resolvi ir pra Flamingo #5 encontrar a Maia (Barbados), que iria embora em quatro horas. Deitei na cama da Valentina (Colômbia) e, entre a conversa com Maia e Kayleigh (Barbados), dormi. Acordei às 3:45 com a Maia com a mala fechada e dizendo que precisava ir pro estacionamento porque o ônibus saía em 15 minutos. Foi aí que me liguei que as pessoas começaram a ir embora. See you in a month. Happy holidays. Enjoy your break. Disfrute. Feliz navidad. Minha mama Latina, meu roommate, meus segundos anos. Estranho como cada ônibus era um pedaço de mim indo pra bem longe. Estranho como cada uma dessas pessoas já me conquistou de uma forma tão súbita e deliciosa. Estranho como esse lugar e essas pessoas me surpreendem cada vez mais.
     Dormi em El Coco #6 e, durante a noite, fui acordado algumas vezes com Happy birthday! Feliz cumpleaños!, confesso que, de sono, não lembro de todos. No ônibus das quatro, rolou um parabéns coletivo em Espanhol, Inglês e até mesmo Português. Resolvi que queria uma aniversário chill. Almoçamos no gramado, passei tempo com a Vitória e de noite, fui pro quarto da Oriana (Venezuela) com mais umas pessoas pra comer bolo e assistir filme. O que começou com uma sessão coletiva de "Meninas Malvadas" terminou com uma dance party surpresa com todas as músicas que, por tudo que passamos aqui, carregam um significado muito especial. Meu aniversário não podia ter terminado de melhor forma.
Potluck dinner
      Resolvi tirar Dezembro pra descansar e refletir. Tentar, ao menos, absorver tudo isso que passou e me preparar pro que ainda há de vir. Me encanta estar acá.

Krijstian (Macedônia), Vitoria, Mahmoud (Sudão), Hannah (Bolívia), Sheree (Kenya), eu, Oriana (Venezuela) e Indi (Costa Rica) na noite do meu aniversário